Origem da Black Friday

Tenho visto por aí pessoas até mesmo influencers publicando posts (já alimentado desde o ano passado) de que o grande dia de consumo em liquidação de produtos e até serviços diversos teria se originado quanto à venda de escravos por um menor valor (gente… que nojo saber que isso tudo acontecia e de que ainda não vivemos numa sociedade totalmente abolicionista).

Porém, infelizmente eu achei o discurso sensacionalista, tirado de contexto  e até fomentador de ódio e fake news, capaz de instigar mais preconceito ainda.

Isso porque, distorcer ou atrair atenção para um termo que não tem origem racista tira o foco e o empenho de desconstruir termos e jargões que realmente merecem ser excluídos de nossas falas.

Embora o termo e origem das comemorações de descontos tenha surgido nos Estados Unidos, sabiamente conhecido como um dos países mais racistas do planeta (o que não ameniza nossa conduta, diga-se de passagem), o seu significado não está relacionado à escravidão e sim atrelado ao Dia de Ação de Graças.

Via de regra, como já abordado no blog (mais aqui), o feriado estadunidense do Dia de Ação de Graças é mais importante que o Natal pra eles e comumente celebrado na última Quinta-feira de novembro, no caso hoje.

Por ser um feriado fixo durante a semana e tão próximo do fim de ano, costumavam aproveitar o dia de agradecimentos, caridades, união e recompensas para alavancar o comércio com saldões escandalosos para, não apenas antecipar a compra dos presentes de Natal, mas também ter motivos para dar aquela esticada no feriado encostado com o fim de semana.

O problema é que a tradução literal do Brasil não engloba a conotação que deram por lá.

Aqui, o Black soa como um dia escuro/negro, quando na verdade para os americanos, o “dia preto” seria equivalente ao nosso “estar no azul” ou “sair do vermelho”. Enfim, traduz um momento de oportunidade para economia, de se fazer bons negócios.

Agora o mais engraçado é que o Brasil resolve adorar apenas a parte capitalista da comemoração né e não a verdadeira essência de gratidão e ajuda tão típica da Ação de Graças. Uma pena.

Por isso e, das pesquisas mais exatas que temos até então, não é racista fazer uso do termo Black Friday. Ainda assim, algumas marcas têm evitado o termo. É caso do Grupo O Boticário e Lojas Americanas.

Agora, uma coisa é certa: independentemente da cor que você atribuir para estas promoções, esteja certo que estes saldões e alvoroços são ridículos se comparado com tanto problema estrutural e social que temos de enfrentar, passando esses momentos aqui no Brasil de mais uma mera data consumista para se gastar recursos que já não tem.

Logo, priorize suas necessidades, aja sem compulsão, pesquise preços, fretes e parcelas, avalie a qualidade do produto/serviço e não caia em fraudes ou aquelas típicas enganações e BOAS COMPRAS!

AH! E O MAIS IMPORTANTE DE TUDO: AGRADEÇA O QUE TEM!

Saiba mais em: https://veja.abril.com.br/economia/entenda-a-origem-da-black-friday-e-quanto-a-data-deve-movimentar/amp/ / https://www.bbc.com/portuguese/internacional-38087960 / https://canalhistoria.pt/blogue/a-origem-do-black-friday/ / https://m.megacurioso.com.br/amp/datas-comemorativas/32965-voce-conhece-a-historia-do-black-friday-.htm / https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2019/11/19/nao-a-black-friday-nao-surgiu-na-escravidao-veja-mentiras-sobre-o-dia.amp.htm / https://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/cinco-curiosidades-sobre-origem-da-black-friday-1-14664108 / https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2018/11/26/verificamos-black-friday-escravidao/amp/ / https://checamos.afp.com/nao-ha-evidencias-de-que-black-friday-tenha-alguma-relacao-com-o-trafico-de-escravos / https://6minutos.uol.com.br/economia/black-friday-e-racista-saiba-a-origem-do-termo-e-por-que-ele-foi-cancelado-pelo-boticario/ / https://super.abril.com.br/historia/como-surgiu-a-black-friday/

Capa: https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/o-que-saber-black-friday/ .