CAPITALISMO CONSCIENTE – uma nova visão sobre os negócios

ATENÇÃO PARA ASSUNTO SÉRIO COM POST LONGO, MAS INSTIGANTE DE COMO MOVEMOS NOSSO CONSUMO E FORMA DE AGIR

 

Nessa segunda-feira passada, eu pude assistir a uma ótima palestra matutina, inclusive para networking e insights lá na Inovabra. O tema não podia ser mais sugestivo pra mim, senão o Capitalismo Consciente, ministrado pelo irreverente Hugo Bethlem, atualmente diretor-geral do ICCB (assumido de forma voluntária, inclusive) e que contou as mais diversas reviravoltas profissionais que tivera para poder se encontrar.

 

COMPORTAMENTO DE CONSUMO EM MUDANÇA:

 

Com todos os efeitos capitalistas e darwinistas, nós avançamos continuamente com tamanha velocidade (para o bem ou para o mal) que sempre nos esquecemos de ensinamentos básicos, né.

Um deles que foi ressaltado é a de que nós passamos a consumir moderadamente quando nos vemos em condições de poucos recursos porque não se vislumbra gastos excessivos no investimento de querer empreender em algo.

Afinal, quantas e quantas vezes nós somos induzidos a adquirir um bem ou mesmo serviço sem a real necessidade? Aquela análise, às vezes autossabotada, de sopesar entre o querer e o precisar.

Pois bem. O fato é que muitas pessoas, principalmente assustadas com a velocidade de degradações no mundo, sobretudo de desastres ambientais que provocamos na Natureza (de onde vem nossa subsistência), têm se assegurado mais em medidas alternativas de contribuir com a recuperação não apenas em termos de ecossistema, mas também de autoavaliar a importância de sua existência na Terra.

Afinal, o que podemos produzir, propagar, influenciar? Quais exemplos podemos passar adiante? Tudo isso se esbarra na análise de nosso mérito, de nossa história, de nossos propósitos e do legado que podemos deixar para pessoas dessa e das próximas gerações.

Muito disso eu também comentei no ano passado, do primeiro talk que a Lush promoveu para seu público, aliás um típico exemplo de comprometimento de uma marca que visa outras proximidades com o consumidor e não apenas na relação entre compra e venda. Uma pena não estar mais operante no Brasil; talvez uma forma subliminar de demonstrar que o país e seu sistema de consumo não esteja preparado para receber estes tipos valiosos de iniciativas.

Tem-se que hoje as pessoas buscam reaproveitar coisas e ideias, dando oportunidade de consumo àqueles que ainda não puderam desfrutar de algo e ainda viver com mais leveza, sem exageros de objetos que não lhe causem mais algum efeito agregador.

SIM, O COMPORTAMENTO DE CONSUMO TEM MUDADO E AS EMPRESAS BRASILEIRAS NÃO CONSEGUEM CAPTAR A ESSÊNCIA SOCIAL POR TRÁS DAS SENSAÇÕES QUE FAZ O CONSUMIDOR ANSIAR POR  AQUILO QUE ADQUIRIU.

São enxurradas de propagandas que um simples desconto ou pontuação irrisória não mais satisfaz. O cliente quer ser lembrado, quer se sentir mais próximo da empresa, quer colaborar e compartilhar suas ideias com as mesmas, quer ver o empenho delas nas causas que as fazem merecer vultoso lucro, querem que entendam a personalidade de cada um como pessoa e cliente, querem sentir humanidade entre senhorios da PJ e por aí vai.

Os rumos com que as pessoas se direcionam é a de consumir com parcimônia para diminuir impactos no meio ambiente e de conscientização da desigualdade social.

Hoje, consumidores querem ter a certeza de que não fomentam trabalhos forçados e degradantes, de que os componentes químicos não são exagerados e de baixa qualidade, de que as empresas tem estudado técnicas de menor utilização de embalagens nocivas ao meio ambiente ou mesmo biodegradáveis.

Enfim, querem consumir algo que venha de uma empresa altamente participativa e que seus bastidores industriais se ponham à mostra.

Interpretações sobre tudo quanto é coisa são das mais diversas possíveis, porque nos foi dado o dom de pensar; isso é único, mas não os anseios, a personalidade, os signos zodiacais de cada um e todas as suas essências físicas e mentais.

 

Temos de unir posicionamentos, inclusive ideológicos porque qualquer extremismo nos desqualifica como seres humanos, respingando isso no empreendedorismo também. É aquela máxima de sabermos aproveitar e enaltecer as qualidades de cada pessoa (AQUI EU INCLUO A PJ, ok)

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Eu saio pelas ruas e vejo muitos rostos e poucos semblantes, onde a robotização nos toma a identidade, que olha mas não vê e ainda percebo que perdi muito tempo de minha carreira principal (advogada) vivendo num sistema de “murro em ponta de faca”.

Vejo que com esse blog, por exemplo, posso propagar muitas iniciativas que façam  mais sentido à minha e de muitas outras vidas.

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E não é fácil ver que muitas outras pessoas brindam da mesma mudança, porque o padrão da geração baby boomer atualmente parece soar como uma bolha, sem mais espaços para se desenvolver ou se enquadrar (veja matéria relacionada aqui) no aspecto de viver para trabalhar.

Tudo isso também serve para frisar que o que mais importa não é de onde você vem e sim para onde você quer chegar, ou seja, olhar para trás é importante, mas não te propulsionará. Deve se apegar mais com o presente e futuro.

E o modelo de comércio atual no Brasil segue esse frenesi do passado: produzir por produzir, vender por vender, ofertar por ofertar, forçar por forçar, economizar por economizar… É um ciclo que não se expande, que não mais se comunica com seus destinatários.

Me diz aí: quantos supermercados, principalmente os bairristas, promovem mutirão de preparo ou doação de alimentos chamados FIFO’s, que estão a perecer? Quantas pessoas podemos ver em situação de rua ou na linha da miséria? Ajudá-las a também colocar a mão na massa não as ajudaria a prospectar bons empregos?

É um show a valorização, inclusive salarial, que dão à reciclagem na Dinamarca, conforme programa veiculado no programa televisivo Globo Repórter:

Vemos que sua profissão (e tem de ser robusta) é o que importa para muitos, inclusive para empresas, porque com isso sugere-se que se tenha um bom salário… um bom salário apenas para gastar.

O problema é que profissionais também são humanos e merecem desfrutar de lazer, cultura e tudo o mais. Dicas de viver a vida são cruciais e as empresas podem auxiliar nisso. Tudo é questão de QUERER, AGIR e ter VONTADE.

É preciso atrair a emoção dos consumidores.

 

MEDIR TUDO PELO LUCRO 👎:

 

Nosso país tem sido um típico e vergonhoso exemplo que o lucro desenfreado gera ganância e cegueira da mais repulsiva e ignorante possível, tais como as catástrofes criminosas partidas da Vale (antiga Vale do Rio Doce – privatizada, inclusive) com o rompimento das barragens de dejetos de minérios nas cidades de Mariana (2015) e Brumadinho (2019).

Tudo porque o valor do minério explorado se sobrepôs à vida humana e diversos outros seres vivos (flora e fauna), além de verdadeira vista grossa com mecanismos de segurança. Ou seja, se negligenciou estudos e mecanismos acautelatórios para nada gastar nesse aspecto e que agora deverá se gastar infinitamente mais para indenizar pessoas, recompor o meio ambiente, devolver a economia na região e até mesmo recuperar a imagem da companhia (que francamente é o de menos).

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Vê-se que nenhuma teoria de sucesso e dinheiro pode ser absoluta. Logo, a desaceleração é, de fato, um assunto a ser enfrentado. O consumo continuará a existir, porém não significa que tenha de ser imediatista, assim como um indivíduo deve entender que não se pode comprar o mundo. Isso garantirá uma satisfação momentânea, na maioria das vezes.

A capacidade de ser autossustentável e de prospectar o empreendedorismo social já está aí e o termo capitalismo consciente também vem sendo propagado nos EUA, reduto capitalista.

Sim, é hora e repensar e com o próprio público.

 

LIBERDADE MENTAL = LIBERDADE CAPITAL

 

Não por menos que tanto nossa sanidade e sabedoria quanto nosso dinheiro e fortuna são tidos como fortalezas, né?

Dinheiro e poder nas mãos de poucos revelam facilmente o caráter destes, enquanto para um país, revela como ele trata a evolução e respeito para com o seu povo.

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“Bunker” de Geddel Vieira Lima –  prova da ganância insana de dinheiro obtido de forma criminosa. Pensem na população sofrida com tal desvio?! E me digam se uma pessoa dessa tem caráter de pensar no próximo?

Power in the money, money in the power
Minute after minute, hour after hour
Everybody’s running, but half of them ain’t looking
It’s going on in the kitchen
But I don’t know what’s cooking
They say I gotta learn
But nobody’s here to teach me
If they can’t understand it, how can they reach me? (Gangsta’s Paradise, by Coolio)

 

Nisso também se ressalta uma das teorias mais capitalistas, conceituadas por Adam Smith, ao sustentar que a riqueza de uma nação dependerá da liberdade que se concede à sua população, inclusive de empreender.

Aqui, por exemplo, temos legislações que em verdade servem de empecilho por vezes medíocres e que tardam a se moldar sobre novos cenários; burocracias; carga tributária usurpadora; falta de tratamento imparcial e casuístico; morosidade em conceder algo, tal como alvarás de funcionamento, etc.

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Tal teoria ainda fomenta mecanismos de competitividade (que deve ser sadia) no sentido de produzir bem, proporcionando ao consumidor a liberdade de escolha.

Já puderam mensurar ainda que, desde a propagação da ideia capitalista de Smith (a partir de 1.776), a extrema pobreza e analfabetismo diminuíram, aumentando renda anual e expectativa de vida:

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Como o próprio palestrante enfatizou: “pessoas que são livres, podem criar”.

É uma questão natural, quanto mais liberdade de acesso, maior a capacidade de desenvolver a criatividade, inovação e arrojo.

Com isso, há de se buscar condições igualitárias de desenvolvimento para cada indivíduo.

 

MUNDO V.U.C.A E O ANTIFRÁGIL:

 

Novos arranjos são necessários, porque bens (materiais e imateriais até de sobrevivência) e outras vidas com que nós  somos  dependentes são esgotáveis e o alcance de consumo pode passar a não mais surtir efeito para determinada coisa, exaustivamente produzido em larga e cômoda escala, principalmente para um país que já tiver consumido de tudo.

A exemplificação posta em palestra fez muito sentido: Se uma empresa deixar de existir, você sentirá falta?

Eu mesma consumia determinado sais de banho de uma empresa com assiduidade. E o que eu fiz quando não mais a encontrei? Passei a fazer os meus próprios sais de banho que, diga-se de passagem são infinitamente melhores que muitos comercializados por aí.

 

É aí que se aciona o sistema antifrágil – em que nem sempre os modelos mais fortificados sejam inabaláveis, principalmente pelo fator utilidade, obsolescência e interesse de consumo.

Muitas vezes, pensar na contramão pode parecer frágil, mas que possa fazer buscar melhorias comportamentais. Exemplo: a 2ª feira deveria ser mais valorosa que o final de semana (ou parte dele), porque é de onde tudo se inicia, de onde se prospecta novas chances de que se possa fazer a diferença (morning glory).

Hoje é preciso internalizar mais sensibilidade com a desenvoltura de um negócio e estar cada vez mais preparados para imprevistos, mantendo sempre uma postura estratégica de flexibilidade.

Por isso que hoje uma empresa precisa ser lembrada, cravar feitos, propagar legados, ter a capacidade de se moldar aos perfis e linguagens da sociedade – o chamado empreendedor anfíbio.

 

PILARES DO CAPITALISMO CONSCIENTE:

 

Com todas as mudanças expostas acima, considera-se ainda que uma  empresa consciente terá como pilares na execução de suas ações: PROPÓSITO, LIDERANÇA, STEAKHOLDER E CULTURA.

A junção destes quatro elementos faz entregar projetos de iniciativa, de colaboração, de apoio, importância e condescendência ao seu público.

A rede varejista Magazine Luíza criou um canal de denúncia contra violência doméstica para as suas funcionárias e a venda de colheres a preços módicos e revertidos para ONGs com tais fins.

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Ainda assim, empresas brasileiras estão muito deficitárias nestas questões, a começar por ouvir, acatar e/ou responder seus próprios consumidores das críticas e sugestões.

 

A NECESSIDADE DE NOS CONECTARMOS COMO CICLOS/CÍRCULOS:

 

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Vislumbramos como utopia a relação em círculos (igual para igual – ajuda e compartilhamento simultâneo), nos “enquadrando” em relações triangulares nos mais diversos assuntos, tal como citei um pouco dos significados na pintura Guernica, de Pablo Picasso (aqui).

Há sempre um ponto que intermedeia por muitas vezes questões opostas, às vezes neutralizadas por divindade com a qual não detemos poder ou mesmo conhecimento empírico de sua existência. Explico:

Na psicologia temos a relação triangular de pensamentos e ações baseadas em Id – Ego – Superego;

No direito temos que o processo judicial só desenvolve quando há conexão entre Autor – Juiz – Réu

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As monumentais construções civis que temos conhecimento da Idade Antiga seguem a mesma geometria, bem como atribuir a essa forma símbolos de riqueza ou ainda níveis nutricionais, hierárquicos ou de escala duvidosa de lucratividade (a chamada pirâmide financeira, que é crime por se comportar como sistema fraudulento).

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Percebem? Tudo o que é construído pela criação humana tem um certo viés separatista, enquanto que o Cosmos ou qualquer Divindade quando exposta numa tríade, consegue representar uma complementação, tal como no Cristianismo (Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo) ou Wicca (Triquetra – fases e representações da natureza relacionados à Grande Mãe, às antigas divisões da Lua e estações do ano).

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Por isso, temos de parar com certa ganância desenfreada e unir ações que aproveitem a todos, como uma corrente elétrica, como círculos. Enfim, compartilhar das mesmas oportunidades da melhor forma possível.

Uma delas é servir de instrumento de motivação de bons exemplos que possam ser seguidos, tal como uma corrente.

Isso porque a sincronicidade permite comparações melhores de funcionamento perfeito, tal como o Universo:  planetas, sistema solar e a própria translação:

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Entenderam? NÃO? Então vou RESUMIR:

Vivemos como uma das maiores descobertas do Homem: a RODA.

UM DEPENDE DO OUTRO e, por isso, pessoas físicas e/ou jurídicas devem mostrar para o que vieram, fazer a diferença, impactar positivamente a vida dos outros para que sintam sua falta. Prospecção financeira é consequência.

 

ISSO NÃO É EVOLUÇÃO :

Desde os primórdios
Até hoje em dia
O homem ainda faz
O que o macaco fazia
Eu não trabalhava
Eu não sabia
Que o homem criava
E também destruía

Homem primata
Capitalismo selvagem (Homem Primata, Titãs)

 

Welcome to the jungle
It gets worse here everyday
You learn to live like an animal
In the jungle where we play
If you got a hunger for what you see
You’ll take it eventually
You can have anything you want
But you better not take it from me

In the jungle, welcome to the jungle
Watch it bring you to your knees, knees
Oh, I wanna watch you bleed (Welcome To The Jungle, Guns n’ Roses).

 

VOCÊ, como conduz sua vida? Como impacta a vida das pessoas ao seu redor? O que pode deixar de destruir? Para onde caminhamos? Que proposta social o seu empregador pode chancelar?

DESACELERE um pouco.

CAPITALISMO SIM, PREDATISMO, NÃO!

 

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar
Também não é sobre
Correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás

Que a vida é trem-bala parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir (Trem-Bala, Ana Vilela)