Nosso Halloween é de travessuras aterrorizantes, dessa vez com o pedido de recuperação judicial da LIVRARIA CULTURA

Provavelmente o incêndio do importantíssimo museu cultural da história brasileira não serviu para matar as bruxas que ainda pairam sobre a crise econômica de nosso país, decerto desenfreada pelos vampiros mais maléficos que temos no Brasil: políticos, sobretudo do legado Mensalão e Lava-Jato e suas súditas empresas de idoneidade putrefata.

Agora, a vítima da vez também possui um grande apelo cultural (nossa politicagem parece fazer de tudo para nos desviar da cultura e educação). Trata-se, simplesmente, do pedido de recuperação judicial da Livraria Cultura, requisitada no último dia 24, sendo esta nada mais nada menos que a MAIOR livraria do Brasil, com mais de 4,5 mil m² de sua loja principal ainda persistente (e que assim continue) no interior  do Conjunto Nacional – Av. Paulista e ainda tida, salvo melhor juízo, como a maior da América Latina.

 

Empresa crescente a partir do Direit”ismo” e declinada no Esquerd”ismo”:

A cronologia da Livraria Cultura, por ironia do destino, coaduna com um paradoxo de extremidades políticas que se refletem hoje, a poucas horas do 2º turno das eleições presidenciais.

A empresa foi fundada em 1947, ou seja, se solidificando logo após a Era Vargas, mas começou a despontar justamente em 1969, durante o regime militar, ao inaugurar sua primeira loja no Brasil – a do Cj. Nacional  e começou a enfrentar prejuízos financeiros em 2013, durante a presidência de Dilma Rousseff, defensora de ideologias comunistas.

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Livraria com diversos setores – música, filmes, artes, livros literários nacionais e em línguas estrangeiras, didáticos, culturais, de viagens, cultura geek e colecionáveis, além de cafeteria, o Teatro Eva Herz, área infantil e ainda de espaço para leitura livre, artigos de papelaria…

 

Enfim, naquela vez do incêndio, eu dediquei a música Inútil, do Ultraje a Rigor àqueles que transformaram o Museu Nacional em praticamente nada.

Dessa vez, a canção parece vir com um tom literalmente mais pesado aos representantes da nação brasileira assustadoramente desempregada que, assim, faz refletir absurdamente no poder de consumo.

Brasil, o país dos corruptos

Brasil, os domínios do inferno

Brasil, o país dos corruptos

Brasil, onde o mal é eterno         [essa paródia parcial de Salém (A Cidade das Bruxas) da banda de heavy metal nacional oitentista, Harppia, não pode assim se profetizar, né?!]

E discordando um pouco dos Paralamas do Sucesso, os brasileiros infelizmente têm de optar por alimentos reais como comida e “bom prato” a livro e educação, muito mais custosos (referente ao trecho da música Lourinha Bombril em que se canta “Livro pra comida, prato pra educação“).

Aqui, o meu repúdio de saqueamento declarado destes últimos governantes que querem perpetuamente viver de cargos políticos como se fossem verdadeiras pragas, tem muito mais consonância com a música Comida, dos Titãs:

“A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte”

Trocando em miúdos, queremos viver e não sobreviver. De poder estar num país que abrace o seu povo, que não tenhamos de nos sacrificar de várias formas para ter o que comer e pagar contas de serviços mais que essenciais.

Dessa forma, nos sobraria dinheiro para investir em nossos estudos e/ou de nossos dependentes e aumentar nossa clemência evolutiva por cultura (todo o tipo de leitura, línguas, ciência, música, pintura, artes plásticas, cinematurgia, fotografia etc etc etc), além de nos trilharmos melhor ao respeito e moralidade para que uma corja corruptiva como a que temos seja exorcizada de vez.

E tudo isso é facilmente disposto na Livraria Cultura… abalada ao que registram desde 2013 [durante o (des)governo de Dilma Rousseff] pela queda no poder aquisitivo de milhões de pessoas desempregadas e que, também faz gerar desemprego, já que suas filiais e parte de seu conglomerado foi recentemente fechado.

É o caso, por exemplo, da Fnac, uma empresa francesa que encerrou as atividades no Brasil por falta de lucratividade (além da ganância tributária leviatãnesca que temos por aqui).

A Livraria Cultura, sabe-se lá porque cargas d’água, resolveu adquirir essa parte da Fnac  no ano passado e, sabemos que quem adquiri os bônus, também absorve os ônus.

Conclusão: um verdadeiro tiro no pé em assumir, talvez por orgulho concorrencial excessivo, uma responsabilidade como essa quando já registrava pioras e falta de pagamentos.

Mas aí, a âncora já tinha sido lançada… Mais outra conclusão: não obstante o agravamento da crise política e econômica, tudo indica que os gestores da L. Cultura estudaram suas estratégias em risco totalmente temerário. Um desastre também imputado à própria empresa.

Efeitos dos calotes:

A recuperação judicial, grosso modo, é um regramento processual peculiar (estipulada pela Lei nº 11.101/2005) que visa supervisionar tal como auditoria toda a vida financeira antes e depois dos prejuízos, apurar responsáveis desse comando administrativo e tentar esboçar  um plano de pagamento com todos os credores, sobretudo de funcionários que têm preferência no recebimento de créditos.

Se der certo, o juiz atualmente atuante em Vara específica para tratar de causas falimentares (processos extremamente demorados)  aprova o plano de recuperação e a empresa se restabelece. Caso contrário, não conseguindo um consenso de pagar todas as dívidas, o juiz decreta de vez a empresa como falida.

Nesse ínterim, via de regra alguns processos em estágio avançado (fase executória) ficam suspensos, sendo tudo concentrado para o chamado Juízo Universal (concentração dos credores – o da ação falimentar).

Pra vocês verem que aqui no Brasil o Halloween dispensa máscaras ou fantasias, com um amargor que nenhum doce consegue camuflar.

O mais aterrorizante é que esse cenário tem afastado empresas gringas de desembarcarem no Brasil, tal como a saída da Lush (noticiada aqui), a recuperação judicial da Contém 1g (veja mais), o fechamento de um promissor restaurante em SP – o Maria Escaleira, bem como do e-commerce de artigos de decoração e tabacaria de luxo Carro de Mola (também citado no blog), tudo em 2018.

***Uma nota: lembrar-se do poderio de eletrônicos da Gradiente? Foi levada à bancarrota em 2007, durante o governo de Luís Inácio Lula da Silva (atualmente preso por conta dos esquemas deflagrados de corrupção) e de lá pra cá o medo de empresas falirem parece assombrar muito mais. Isso sem contar no escândalo da empresa de telefonia Oi.

Nos resta saber quem será a “Bala de Prata” a exterminar toda essa mácula generalizada a nos envergonhar tanto.

Acho que devemos nos alertar cada vez mais com o nosso futuro, a começar com o voto consciente, fiscalizador e sem abrandamentos de carnificinas que deterioram as nossas expectativas de crescimento. Nosso sistema como um todo já é deveras falido.

Portanto, não banque o zumbi

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Desse trickortreat eu não quero mais não.

Mais em:

https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/10/26/justica-de-sp-aceita-pedido-de-recuperacao-judicial-da-livraria-cultura-dividas-chegam-a-r-2854-milhoes.ghtml

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/07/1902498-livraria-cultura-compra-operacao-da-fnac-no-brasil-empresa-tera-30-lojas.shtml

https://braziljournal.com/na-crise-da-livraria-cultura-a-fnac-foi-a-gota-dagua

https://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/7731691/livraria-cultura-pede-recuperacao-judicial-apos-fechar-lojas-fnac-pelo-pais

https://www.livrariacultura.com.br/loja/livraria-cultura-conjunto-nacional-2000003

https://oglobo.globo.com/opiniao/estatais-criadas-desde-lula-sobrecarregam-tesouro-19951647

https://www.istoedinheiro.com.br/noticias/mercado-digital/20160129/nova-tormenta-gradiente/338662

https://g1.globo.com/economia/noticia/em-tres-anos-3416-mil-empresas-foram-fechadas-no-brasil-aponta-ibge.ghtml

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,1-8-milhao-de-empresas-fecharam-em-2015,10000050202

 

*** Foto de capa: https://www.turistandonomundo.com.br/2016/05/a-maior-livraria-do-brasil.html

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