Novo fim da Lush no Brasil

Hoje, do nada, o mercado de cosméticos e porque não econômico no Brasil se deparou com a notícia vinda na velocidade e densidade de um meteoro ao entrar na atmosfera: o comunicado de saída da Lush no Brasil.

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O comunicado é bipolar à potência de lucratividade da marca, que tem como nicho o mercado de luxo em comportamento de consumo por aqui, além do investimento de praticamente extinguir custos com embalagens em seus cosméticos, bem como do alto engajamento com o seu público bastante fidedigno, mesmo em tempos de crise financeira e econômica, mesmo que fosse aquém do esperado.

A meu ver e, pelas notícias veiculadas, de fato a carga tributária no Brasil é feroz e ilógica; um verdadeiro contrassenso capaz de desestimular qualquer grande marca gringa.

Mas isso não é tudo.

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Não acredito em coincidências. Logo, os andamentos de uma conturbada e noveleira ação judicial de questões societárias, coadunam com a repentina notícia de saída, queima de estoque e desvinculação da marca no Brasil.

Entenda um pouco do imbróglio:

A marca inglesa adentrou ao país, segundo ao que muito se alega, por empresários brasileiros e que saltou aos olhos dos fundadores da Lush UK o poder de lucratividade aqui, passando-se a propor novas regras que, discordadas por aqui, acarretaram atrasos e limites com produtos de lá para cá, pois não se tinha fabricação própria no Brasil.

De quebra, tornava tudo muito mais custoso ao consumidor, sem contar na validade curtíssima que muitos produtos possuem por seu caráter orgânico e de conservantes naturais.

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Com essa vinda conturbada iniciada bem no finalzinho da década de 90, a Lush não pretendeu se instalar, digamos fixamente e desapareceu dos olhos brasileiros em 2007 por todas essas desavenças empresariais.

Nesse período, os representantes daqui moveram uma ação indenizatória (danos morais, materiais e lucros cessantes – prejuízos sofridos com endividamento e perda de reputação creditícia), decorrente do reconhecimento da existência de sociedade dos empresários brasileiros com a marca inglesa, incluindo a apropriação dos direitos da marca – processo principal nº 0102087-84.2007.8.26.0100, perante a 11ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo (Fórum João Mendes Jr.).

A Lush, em contrapartida, promoveu uma ação acessória para ver declarado extinto um contrato de licença e nulidade de atos da relação jurídica estabelecida entre as partes por descumprimentos diversos pelos empresários brasileiros.

Por tecnicismos processuais, a primeira ação não se desenvolveu para muito além da fase de citação e foi julgada extinta, sem o juiz adentrar ao fato das partes possuírem ou não razão ao que pediam, saindo a Lush como vitoriosa nesse aspecto e legitimando-a a promover a execução provisória, permitida por uma decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme abaixo e execução processual reunindo um apanhado do caso:

Decisão no STJ – MC 023142

Porém, no entanto, todavia… existia um recurso pendente também no STJ dos empresários brasileiros confrontando a extinção em sentença (em 1ª instância) que foi apreciada há apenas dois meses (14/02/2018), acolhendo os pedidos deles em parte, para dar continuidade à discussão societária e indenizatória (vide decisão abaixo), o que torna sem efeito os valores que a Lush conseguiria obter com a reversão da causa.

Decisão para prossegto da ação indenizatória contra a Lush

0059126-79.2017.8.26.0100 (execução com histórico dos autos principais)

Como o processo envolve MILHÕÕÕES, com riscos de consectários de juros e correção monetária que podem ser computados desde a ocorrência dos fatos e mais a espera até o julgamento final, presumo que a lucratividade e gastos com manutenção das lojas e funcionários sobrecarregaria a marca, forçando-a a embarcar de volta para UK

São disputas societárias que só prejudicam a economia e a concorrência no país,  com produtos diversificados e criativos para nós e, ainda, o fomento do emprego.

Mas… também não deixa de servir de um puxão de orelha para os nossos governantes quanto a reestruturação de nossa legislação, sobretudo tributária, para que possamos comprar sem sacrifícios e até sermos empresários mais saudáveis. Tudo o que desempenhamos é por uma sobrevivência, sem chances de dignidade de vida e longe do alcance de igualdade com países mais honestos com o seu povo.

Estamos estupefatos de Joões Sem Terras no Brasil.

 

Enfim, a Lush fez isso (vir e sair) uma vez. Fará de novo, eu espero.

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MUITO TRISTE COM A SAÍDA DA LUSH. EU JÁ ESTAVA TOTALMENTE ACOSTUMADA.

 

E, com exceção do hidratante Charity Pot (que possui valor revertido em ação social) e acessórios (lenços, bolsas, cds, latinhas…) os produtos estarão com 50% de desconto até acabar o estoque.

A fábrica funcionará até o dia 20/06 e o atendimento ao cliente findará em 31/08/2018 😦 😦 😦

 

Mais em: https://www.istoedinheiro.com.br/a-disputa-pela-lush/

Lush fecha lojas e fábricas no Brasil e dá desconto de 50% nos produtos

Lush fecha lojas no Brasil e vende todos os produtos por metade do preço

https://g1.globo.com/economia/noticia/lush-cosmetics-fechara-lojas-no-brasil.ghtml

https://dcomercio.com.br/categoria/negocios/a-segunda-chance-da-lush-o-que-aprender-com-o-renascimento-da-marca-no-brasil

https://vogue.globo.com/beleza/beleza-news/noticia/2014/05/em-um-triunfal-retorno-lush-inaugura-no-brasil-sua-maior-loja-do-mundo.html

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/marca-de-cosmeticos-lush-anuncia-saida-do-brasil-e-vende-tudo-por-metade-do-preco.shtml

Lush fechará lojas no Brasil pela segunda vez e vende itens com desconto

 

 

 

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