A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

frase-ela-acreditava-em-anjo-e-porque-acreditava-eles-existiam-a-hora-da-estrela-clarice-lispector-97973

Acho que ainda não tive a oportunidade de citar esta autora que tanto ganhou espaço em nossa literatura, tampouco dessa obra tão conhecida que, mesmo no rol de livros indicados para vestibulares, tal como Fuvest, ele acaba por não ser aproveitado como deveria.

O livro tem uma espessura muito modesta mesmo, mas nem por isso o seu conteúdo deixa de ser louvável, além do preço estar sempre acessível.

Também não é maçante ou complexa, eis que Clarice pertence ao seleto quadro de escritores já pertencentes ao período modernista.

O livro em questão foi publicado pela primeira vez em 1977 e, dentre suas outras obras literárias, há espaço considerado para: Perto do Coração Selvagem (1944), O Lustre (1946), A Cidade Sitiada (1949), A Maçã no Escuro (1961), A Paixão Segundo G.H. (1961), Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres (1969) e Água Viva (1973).

De Contos e livros infantis, ainda há de se destacar: Alguns Contos (1952), Laços de Família (1960), A Legião Estrangeira (1964), o famosíssimo Felicidade Clandestina (1971), Imitação da Rosa (1973), A Via-Crucis do Corpo (1974), O Mistério do Coelho Pensante (1967), A Mulher Que Matou os Peixes (1969) e A Vida Íntima de Laura (1974).

Como muitos sabem, Clarice nasceu na Ucrânia, mais precisamente em Tchetchelnik, mas se naturalizou brasileira com poucos meses de vida, se formou em Direito, mas trabalhou como jornalista e tradutora, para somente depois, se engajar na literatura.

Interessante tecer comentários até mesmo da narração, eis que a autora não querendo narrar a obra tragicômica a partir de si própria, inventa um nome também ao próprio narrador, Rodrigo S. M. (Clarice gostava de abreviaturas rsrsrs).

capa_a_hora_da_estrelaTrata-se de uma narração pós-moderna, onde o narrador sabe de todos os acontecimentos do que virá.

A Hora da Estrela é um drama romântico contado de forma irônica e insignificante sobre a forma de vida e morte da pobre personagem Macabéa, uma nordestina que se muda para o Rio de Janeiro para lá trabalhar como datilógrafa.

Macabéa era sonhadora, deslumbrada. Aliás, seu fiel companheiro era o rádio relógio que escutava com os ouvidos colados.

Procurava ser quem não era, depressiva com os comentários desferidos contra si por outras pessoas. Seu amor próprio era diminuto e, descontente com tudo o que passava, focou suas esperanças conforme a vidência que procurou, mas sua vida foi traçada de forma distorcida pelo o que lhe tinha sido dito; uma verdadeira ironia do destino.

A cartomante, por exemplo, lhe teria dito que seria muito feliz com o alemão, mas a única coisa alemã que tinha em sua vida apareceu de outra forma.

Últimos instantes, cabeça batida na guia… “quanto ao futuro”.

Macabéa ansiava popularidade e reconhecimento, mas foi o centro das atenções no momento mais triste e inoportuno. Uma estrela.

Delirando, a protagonista imagina estrelas, um prenúncio de seu fim repentino.

O mérito da obra é bastante usado em escolas e até mesmo faculdades, pois a obra é dirigida a pessoas que não sabem reconhecer a importância de seu ser e fazer dela o seu próprio propósito e espelho, sem comparações.

Ou seja, fornece subsídios para estudos de literatura, psicologia e sociologia, até porque aborda questões de migrações, instrução escolar e comportamental, discriminação social/financeira dentre outras.

E é óbvio que importantes estórias literárias ganham adaptações cinematográficas, né e bem próximo do livro. Faz o espectador mais reflexivo e próximo da realidade medíocre e sem muito brilho de quem sonhava ser estrela.

Ficha técnica:

Sinopse: A história da nordestina Macabéa é contada passo a passo pelo escritor Rodrigo S.M., alter-ego de Clarice Lispector, de um modo que busca permitir aos leitores acompanhar o seu processo de criação. O autor faz o relato da vida triste e sem perspectiva da alagoana Macabéa, pontuada com as informações do ‘Você sabia?’ da rádio Relógio, sinistro metrônomo a comandar o ritmo de seus últimos dias de vida. Para a cartomante Carlota, a quem Macabéa procura em busca de um sopro de esperança, esses dias derradeiros deveriam ser coroados com o casamento com um estrangeiro rico. Mas, ironicamente, Macabéa termina sob as rodas de um automóvel de luxo Mercedes-Benz.

Título original: “A Hora da Estrela”

Editora: Rocco

Capa/Imagem: Flor Opazo

Gênero: Romance trágico dramático

Edição: 23ª edição – 1998

Páginas: 87

 

Anúncios