Ocupe a mente antes de ocupar escolas. O lado negro do ENEM e ENADE

Se existe uma coisa que a vida nos ensina de forma brutal é a perda da ingenuidade com os interesses e pessoas que nos cercam.

Estudantes pouco decididos com o verdadeiro futuro que os espreitam se deixam ser facilmente influenciados por ideologias de organizações políticas para ocupar escolas como forma de protesto com reivindicações à PEC que limita os gastos públicos e que, em tese, também diminuiria repasses de verbas à educação.

Mas eu duvido muito de que tais estudantes seguiriam um rigor de estudos multidisciplinares para correr atrás do prejuízo que sempre estivemos atrasados em comparação ao ensino de outras escolas mundo afora, incluindo de países subdesenvolvidos, os chamados “emergentes” (acho péssimo esse termo – para mim, significa subdesenvolvido com soberba).

Afinal, o que fizeram os estudantes durante a ocupação? Aproveitaram os laboratórios e forçaram professores a exercer seus ofícios que rotineiramente não são feitos? Tomaram livros e mais livros emprestados nas bibliotecas para que se mantivessem no ritmo dos estudos? Fizeram trabalhos extracurriculares para apresentações em grupo? Arrecadaram livros para melhorar a biblioteca sempre ineficiente ou que sequer funciona?

Eu tenho certeza que não e por uma razão muito simples: quem realmente se preocupa com um estudo de qualidade, uma profissão renomada ou qualquer tipo de planejamento focado e bem estruturado de vida, não adere a algazarras, mas se prejudica por aqueles que se deslocam à escola por obrigação, subordinados aos rebeldes que aprendem algo por osmose.

Protestar é importante, mas de forma inteligível, pois o bom senso, respeito e caráter precedem qualquer direito que julgam ser tolhidos.

E nem percebem que são marionetes de interesses dos superiores.

Isso porque, o ENEM é utilizado como requisito ao ingresso de alunos em universidades públicas, super disputadas, bem como alcance de benefícios sociais àqueles de baixa renda, ou seja, a remarcação de provas por conta da ocupação em escolas fará com que o exame se torne ainda mais suspeita, com a realização de uma prova para quem já realizou e a mesma aos futuros examinandos.

Resultado: vazamento mais que esperado das respostas que torna anulável o exame para todos.

Conclusão: além do atraso e prazo ao cômputo da pontuação necessária para ser utilizada como ajuda em aprovações e vagas em universidades públicas ou mesmo benefícios de bolsas de estudo ou financiamentos para faculdades particulares poderá ser perdida.

Quem ganha com isso: as próprias universidades que, em verdade, já se veem obrigadas a aceitar quotistas e o próprio Governo Federal, pois o prejuízo de alunos importa em redução na concessão dos benefícios. E estes alunos nem parecem perceber que são usados como escudos, seduzidos por um frenesi de participação política. Como se isso fosse a glória.

Agora a sujeirada master não termina por aqui. Só continua.

Em matéria recentemente veiculada pela revista Veja (link ao final do post), foi confirmado algo que muitos alunos de universidades pagas e das mais lucrativas já suspeitavam: de serem injusta e sumariamente reprovados. Mas se enganam aqueles que achavam que suas retenções para mais um semestre fosse apenas para a instituição arrecadar um pouco mais do suado dinheirinho contado do graduando.

Atrás disso tudo funciona um ardiloso e inescrupuloso sistema de reprovação proposital daqueles alunos concluintes em que a própria instituição os classificavam como prejudiciais na avaliação de rendimento.

Assim, selecionavam os alunos com status de “estrelinha na testa” para se sujeitarem ao ENADE e, aqueles que eram apontados com rendimento mediano eram retidos de forma proposital para cursar mais um semestre, pois assim não estariam convocados a prestar o aludido exame, que avalia as universidades com base do conhecimento esperado que os alunos demonstrarem no certame.

RESUMINDO: O dinheiro sempre fala mais alto e quem depende disso sempre terá uma educação falha e medíocre no Brasil e afetará a qualidade profissional em curto prazo. Aqueles que deveriam dar o exemplo, com metodologia rigorosa e não mascarada, além de verdadeiro e honesto comprometimento, afundam ainda mais algo sempre deficitário por aqui: a reivindicada educação. Por isso ocupação não resolverá problema algum.

 

http://veja.abril.com.br/educacao/escola-de-fraudes-universidades-manipularam-resultados-do-enade/

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