Post atrasado, reflexão constante – ComCiência de Patricia Piccinini

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Patricia Piccinini

Bem no início deste ano e, só para constar estamos já na metade, marquei presença na disputada visitação da mostra ComCiência, da artista plástica Patricia Piccinini, que esteve exposta no Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB em Sampa.

Não podia deixar de explorar seus trabalhos bastante impactantes.

O próprio nome da mostra, de jogo metafórico, induz a mensagem a ser passada, qual seja, a de voltarmos nossas atenções, cuidados e preocupações com a nossa ânsia de mexer e revirar nossas ideias frankstarianas de experiências e mutações genéticas, tanto em animais (incluindo a nós mesmos) quanto vegetais.

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A questão, porém, vai além dos conhecimentos científicos e laboratoriais, mas também a de testar nosso grau de humanidade, empatia, compaixão, condescendência e tantos outros sentimentos que parecem estar sendo desaprendido com o tempo.

Afinal, qual a aplicação correta para julgar o que é ou não abominável?

Que parâmetro utilizaria? Qual o limite ético e até que ponto podemos “brincar de Deus” e depois renegar a criação? E a perda do controle?

Se não somos perfeitos e, a meu ver, a perfeição também seria repudiada pela maioria que não conseguiria ou não poderia ser… Como acreditar fidedignamente de que os erros se tornariam cada vez menores?

A ideia é literalmente examinar nossa consciência sobre a própria ciência, enquanto estudo.

Maior interpretação se dá, em minha opinião, por duas principais reflexões desafiadoras:

1º – Tratar a criatura como digna de viver e enxergar aquele como seu semelhante.

2º – E reparar que estas também possuem sentimentos, incluindo piedade e fragilidade tão profundas quanto aos nossos.

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Se não conseguimos lhe dar com diferenças tão naturais que nós mesmos desenvolvemos, tais como altura, peso, modo de pensar e vestir e dentre outros fatores, como poderemos ser capazes de misturar espécies, sem se responsabilizar e ter de depois renegar o próprio ato?

Outro aspecto muito bem abordado pela artista é a de que crianças, puras de pensamentos mesquinhos, não se incomodam com tais diferenças, pois as enxergam como companhia.

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Espantei-me com cada detalhe. Parecia que estas obras tinham vida, que já existiam. Como se fôssemos coadjuvantes ou que nós seríamos os estranhos. Gostei e muito de poder visitar esta mostra.

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