Dias Perfeitos, de Raphael Montes

 

20151214_202248IMG_8822“… mendigos que encontravam seu propósito de vida na morte” (p. 10/11).

“ao menos você bebe. Costumam dizer que pessoas que não bebem são perigosas… Sinal de que você não é perigoso” (p. 17).

“Queria saber sobre o que e como ela escrevia. Os escritores de ficção colocam muito de si nos textos” (p. 19).

“De uma árvore distante, ele também fotografou Clarice, mas com os olhos, armazenando as imagens na memória entre um clique e outro” (p. 29).

“Sou uma pessoa do mundo. Ascendente em Sagitário. Não adianta tentar me controlar. Não tenho dono, sabe? E nunca vou ter” (p. IMG_8826124)

“Afinal, relacionamento tambémIMG_8824 é privação. Estavam atados um ao outro. Ele levaria Clarice consigo para sempre: já não podia viver ou mesmo morrer sem ela” (p. 160).

“Dizem que se pode ver a alma através dos olhos” (p. 205).

Téo, um estudante de medicina de longe não parece conhecer o significado de vida social. Até conhecer e manter um relacionamento mais que forçado, perseguidor, intimidador e possessivo com Clarice, o máximo de relacionamento afetuoso que considerava ter era por meio de suas análises legistas com cadáveres, uma em especial.

Pelas suas companhias gélidas que eram seus objetos de estudo, Téo imaginava até mesmo como estas suas companhias viveram e que tipo de entrosamento teria tido se os conhecesse em vida.

O autor faz questão de enfatizar essa característica antissocial de seu protagonista, pela opção de se tonar recluso de tudo e de todos, muito disso atrelado ao fato de considerar ser um fardo cuidar de sua mãe paraplégica.

Além disso, o narrador descreve Téo de maneira em que suponhamos ser tímido e de baixíssima autoestima.

Mas não demora muito para que seja revelado seu lado preconceituoso, julgador da moral e dos bons costumes, repudiando pessoas que considerasse de comportamentos mais impuros e mundanos, com uma personalidade obsessiva.

Clarice, sua vítima, demora menos ainda para que se sinta sufocada com o comportamento de Téo que guarda pensamentos sombrios, fazendo de tudo para deixá-la completamente dependente dele, distorcendo qualquer sentimento puro de amor.

O psicótico personagem a todo o momento se demonstra calculista, dotado de humor negro enrustido, principalmente quando observa pessoas seguindo comportamentos completamente diversos de uma religião que possa seguir, por exemplo.

O autor, que também é advogado, faz deixar no ar, mesmo que de forma bem sutil, o assunto sobre máculas e corrupções no Poder Judiciário, ao abordar a breve história do pai de Téo.

Enfim, super recomendo a leitura, uma literatura brasileira intrigante e instigante, com um suspense sutil, porém bem tramado, que não fica nenhum um pouco atrás das literaturas estrangeiras.

Téo até tenta justificar tudo como um ato de amor, mas longe do convencimento, porque mais se impera a possessividade e o egoísmo.

Ficha técnica:

Editora: Companhia das Letras

Gênero: Literatura Brasileira – Suspense

Capa: Retina_78

ISBN: 978-85-359-2401-5

Edição: 1ª edição – 2014

Páginas: 274

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