Angel, de Roberto Shinyashiki

IMG_5893I am a woman who walks alone (adaptação para trecho da música Fear of the Dark, by Iron Maiden)

Quando o caminho parece muito longo, é complicado dar o primeiro passo (p.31).

Que a noite em São Paulo nos revela e nos desperta para muitas coisas eu já sabia, mas não imaginava que as sensações e sentimentos vividos pelo simples ato de caminhar por uma noite pudesse render uma boa e suave história para um livro, recheada de lições de vida.

Narrado em 1ª pessoa, a personagem conta seus próprios temores, sentimentos e pontos de vista após decidir caminhar sozinha na “Paulicéia Desvairada” depois do término de um concerto de rock.

Aproveito o gancho para atestar que essa é realmente uma sensação que o Rock ou mesmo Heavy Metal proporciona nos shows: saímos de almas tão lavadas que a euforia se transforma em leveza, tal como a sensação de desabafo em dizer tudo àquilo que preso na garganta. Uma leveza não só mental, mas física também, a não ser que você tenha aderido às “rodinhas de quebra cabeça” rsrsrsrs.

O autor, por meio de sua personagem Silvana, a aventureira engaiolada, é capaz de descrever de forma simples como presencia um assalto e toda a sensação de impotência que nos gera.

É fácil se identificar com muitas comparações de percepções da personagem, quetambém revela uma postura bem incisiva daquilo que obstina à sua satisfação.

IMG_5894Luzes e sombras, fora e dentro de nós… Convivo, desde criança, com o eterno conflito entre a luz do desafio e a sombra da acomodação.

Quando enfrentei meu pai, que me queria advogada, venceu a ousadia, e segui minha vontade. Teria sido fácil fazer sucesso à sua sombra, mas me parecia demasiado tolo ganhar a vida brigando pelos outros (p. 13).

 

Procuro ser diferente. Parto do princípio de que a melhor forma de viver é ousar, aceitando e dobrando as apostas que a vida faz conosco. Trocar a tranquilidade morna do certo pelo excitante convite de viver intensamente, ainda que o resultado seja incerto. Atirar-se na aventura de um amor verdadeiro, sem olhar para o casamento morto que ficou para trás… (p. 15).

 

O livro desafia o leitor a enfrentar suas próprias incertezas e desconfianças extremas, com barreiras e mais barreiras para quem realmente nos queira o bem, nos mostrando a solução para o desfazimento de obstáculos, ainda que venha de alguém totalmente desconhecido, inesperado e desinteressado, tal como o menino de rua, intitulado Angel, que Silvana encontra durante o regresso à sua casa.

Até que Angel apareceu.

São anjos da escuridão. A sujeira de seus corpos denuncia nossa miséria interior, enquanto sua pobreza revela o egoísmo da nossa riqueza (p. 16).

E este é um dos propósitos do autor: refletir como pensam e agem os moradores de rua, a qual muitos tacham de desprezíveis, infelizmente.

Até a dedicatória de Roberto Shinyashiki nos faz ser reflexivos:

“A todas as crianças da rua que alimentam minha decisão de participar na criação de um mundo mais digno”

O autor não deixa clara a continuação da relação entre o menino Angel e Silvana para que cada leitor imagine sua própria versão. A minha seria pela quebra de paradigmas da engenheira abastada e solitária, seguindo daí adiante o compartilhamento de sua vida com aquele que se afeiçoava – Angel.

Aliás, o aparecimento de Angel totalmente ao acaso, bem como o modo de interagir, mostrando a sintonia de emoções e reações tão trancadas no íntimo de Silvana, permitem até mesmo uma interpretação religiosa na história, como se alguém enviado para ajudar e zelar pela personagem, apenas esperando por ela.

Senti pena daquele esforço em vão. O rapaz sabia que não ia dar em nada e assim mesmo foi atrás. Mas em seguida ponderei: não seria exatamente essa a atitude correta? Muito melhor do que ficar prostrado, afundando lentamente à mercê das circunstâncias? (p. 31).

Angel é um ótimo livro para enaltecer a valorização da existência de tudo e de todos, com olhar mais detalhado, num mundo em que se determina o que pode ser abominável ou não, mesmo que seja tudo fruto da natureza e das circunstâncias que o Homem cria.

Shinyashiki também é bastante conhecido por suas outras obras literárias, tais como Sem Medo De Vencer, Amar Pode Dar Certo, A Carícia Essencial, A Coragem de Confiar, dentre outros, principalmente focadas em auto-ajuda.

E como o som tem tudo a ver com a história, faço relacionar a música e letra de Fear of the Dark, do grupo britânico Iron Maiden (letra extraída do site www.letras.mus.com):

I am a man who walks alone

And when I’m walking in a dark road

At night or strolling through the park

When the light begins to change

I sometimes feel a little strange

A little anxious when it’s dark

Fear of the dark, fear of the dark

I have a constant fear that something’s always near

Fear of the dark, fear of the dark

I have a phobia that someone’s always there

Have you run your fingers down the wall

And have you felt your neck skin crawl

When you’re searching for the light?

Sometimes when you’re scared to take a look

At the corner of the room

You’ve sensed that something’s watching you

Fear of the dark, fear of the dark

I have a constant fear that something’s always near

Fear of the dark, fear of the dark

I have a phobia that someone’s always there

Have you ever been alone at night

Thought you heard footsteps behind

And turned around and no one’s there?

And as you quicken up your pace

You’ll find it hard to look again

Because you’re sure that someone’s there

Fear of the dark, fear of the dark

I have a constant fear that something’s always near

Fear of the dark, fear of the dark

I have a phobia that someone’s always there

Fear of the dark

Fear of the dark

Fear of the dark

Fear of the dark

Fear of the dark

Fear of the dark

Fear of the dark

Fear of the dark

Watching horror films the night before

Debating witches and folklores

The unknown troubles on your mind

Maybe your mind is playing tricks

You sense, and suddenly eyes fix

On dancing shadows from behind

Fear of the dark, fear of the dark

I have constant fear that something’s always near

Fear of the dark, fear of the dark

I have a phobia that someone’s always there

Fear of the dark, fear of the dark

I have constant fear that something’s always near

Fear of the dark, fear of the dark

I have a phobia that someone’s always there

When I’m walking in a dark road

I am a man who walks alone

Eu sou um homem que caminha sozinho

E quando estou andando por uma estrada escura

À noite ou passeando pelo parque

Quando a luz começa a enfraquecer

Às vezes me sinto um pouco estranho

Um pouco ansioso quando está escuro

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho um medo constante de que sempre haver algo por perto

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho uma fobia de que alguém sempre está lá

Você já correu seus dedos pela parede

E sentiu a pele de sua nuca arrepiar

Quando está procurando pela luz?

Algumas vezes quando você está com medo de olhar

No canto da sala

Você sente que alguma coisa está lhe observando

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho um medo constante de sempre haver algo por perto

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho uma fobia de que alguém sempre está lá

Você alguma vez já esteve sozinho a noite

Pensou ouvir passos por trás

E quando virou de costas, não havia ninguém lá?

E enquanto você acelera seu passo

Você achará difícil olhar de novo

Porque você tem certeza de que há alguém lá

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho um medo constante de sempre haver algo por perto

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho uma fobia de que alguém sempre está lá

Medo do escuro

Medo do escuro

Medo do escuro

Medo do escuro

Medo do escuro

Medo do escuro

Medo do escuro

Medo do escuro

Assistindo filmes de terror na noite anterior

Debatendo sobre bruxas e folclore

Os problemas desconhecidos na sua mente

Talvez sua mente esteja pregando truques

Você sente, e subitamente seus olhos fixam

Em sombras dançando por trás de você

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho um medo constante de que sempre haver algo por perto

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho uma fobia de que alguém está lá

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho um medo constante de que sempre há algo por perto

Medo do escuro, medo do escuro

Eu tenho uma fobia de que sempre alguém está lá

Quando estou andando por uma estrada escura

Eu sou um homem que caminha sozinho

Demais informações do livro:

Editora: Gente

Foto de capa e ilustrações: Geraldo Comini

Gênero: Romance Brasileiro

ISBN: 85-85247-68-1

Edição: 2ª – 1993

Páginas: 119

Confiram o livro na página do Skoob: http://www.skoob.com.br/angel-279981ed313865.html

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