Triste Fim de Policarpo Quaresma

triste fimDepois do Dia da Independência, considerando ainda nossa difícil situação da corrupção que assola o país e, considerando também os posts sobre livros que leio e os menciono durante o início de meados de cada mês, mais apropriado não seria do que mencionar desta vez uma das melhores obras literárias que já li: Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

Em minha opinião, trata-se de uma nata literária brasileira, sempre relacionada em livros de vestibular, embora as bancas examinadoras prefiram aterrorizar os vestibulandos com Machado de Assis rsrsrs.

Gosto deste livro porque, embora publicado no início do século XX, ele se mantem, infelizmente cada vez mais moderno, já que a política de praxe em nosso país nunca valoriza seu povo e não faz nada para enaltecer o sentimento de patriotismo que muitos países estimulam de forma até cansativa em tudo quanto é lugar, assim como faz os EUA.

Trata-se de um bom homem que pregava a moral e os bons costumes alinhados à exaltada e excêntrica maneira de associar tudo à cultura tipicamente brasileira.

Tudo o que fazia era para conservar e difundir a cultura mais original possível do Brasil. Somente comia frutas e iguarias brasileiras, queria que fosse adotado o tupi-guarani como idioma oficial, modinhas de violão, além da vestimenta.

Como todo excêntrico ou visionário que seja Policarpo é dado por louco, já que amar a Pátria desta forma é tarefa árdua que nunca interessou a ninguém.

Policarpo, por não aderir a interesses políticos de qualquer espécie de favorecimento, acaba sofrendo retaliações, além de este fazer diversas recomendações ao próprio Marechal Floriano Peixoto, achando que lhe seria dado alguma atenção servil patriota, mas o que não esperava era ser ignorado e, ainda, acusado posteriormente de traição ou até mesmo conspiração ao Governo até ser morto.

Muitos não entendem um real motivo para Policarpo ter pago o preço de sua própria vida, mas é que na ânsia de ver seu país crescer, aos olhos de quem queira “comandar” o país e extrair riquezas indevidas em benefício próprio, não percebeu que estes não gostam daqueles que incitam mais amantes da Pátria, porque uma maior gama de patriotas fiscalizadores da boa ordem, impedem tais abusos, já que passam a pensar mais e melhor de tudo (saúde, educação, moradia, segurança etc).

Portanto, quem pensa não merece prosperar no Brasil, acaba sendo um empecilho para um Chefe de Estado e de Governo em alarmar qualquer ato reprovável pela sociedade, sendo assim extirpados direitos cívicos ou até mesmo morto, para que não seja ouvido; calado – igual ao trecho da música Metro Linha 743 que citei em post recente, onde os canibais são nossos próprios representantes políticos.

A reflexão mais dolorosa de toda a sua existência é justamente o fato da Pátria, a quem tanto buscou e amou não lhe atender a qualquer anseio ou expectativa de sua luta, pois de traído que o era passou a ser taxado de traidor.

Utópico e visionário, este personagem é pouco de cada brasileiro de hoje. Entregamos, compulsoriamente ou não, nossas parcas riquezas, nossas energias, nossas esperanças para viver com um pouco de dignidade em nossa terra que, por representantes nefastos de todos os Poderes e níveis hierárquicos destroem tudo aquilo que buscamos.

O ator Paulo José, dera vida a Policarpo Quaresma nos cinemas, mas o filme é monótono perto do que poderia ter sido explorado no filme, principalmente no lado cômico do personagem em todas as formas de pensar, agir e viver.

Sempre gostei e muito deste ator, principalmente pela sua veia cômica.

Coitados de nós, famigerado povo brasileiro lutador. Somos todos Policarpos Quaresmas.

Policarpo Quaresma – Carlos Lyra

É quase num relance de tempo

Que a lenda se constrói

E ao fim dessa modinha

Termina a saga do herói

De cada vã passagem

O artista faz sua imagem

A lenda é vaga

Mais bela a saga

Que na memória

O tempo não destrói.

A Vida é só loucura

Entre um encontro

E uma procura

Se o coração não pensa

Revolução não há por quê,

Diz a razão que não compensa

Quem sonha mais um pouco

Os que não mudam

Chamam de louco

Mas é por loucos ideais

Que a vida não parou

Quem muda o mundo é o sonhador.

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