AMAR versus GOSTAR

Dizem que falta amor no mundo. Acho, na verdade, que nunca se amou tanto. Hoje todo mundo ama fácil, ama rápido, ama sem pensar.

Nós amamos o filme novo do Javier Barden, amamos a vilã da novela, amamos sair mais cedo do trabalho, amamos promoção de fim de estação, amamos o desfile do estilista sensação, amamos feriado prolongado, amamos café, amamos fazer massagem, amamos acordar tarde…11951234_1023218664433349_4028462310911928630_n

Mas peraí, amamos pessoas e também camisas novas?

Isso não faz sentido!

Quando amar deixou de ser sublime para ser volúvel?

Quando amar deixou de ser uma conquista para ser fácil?

Quando tiramos o amor do amor?

Amamos muito porque amamos tudo.

Mas amamos pra valer?

A verdade é que o amor foi rebaixado.

Hoje, amar é querer, achar muito legal.

O gostar virou amar. E amar virou o quê?

Falo do amor à moda antiga, com borboletas no estômago, fogos de artifício, perda da noçaõ de tempo. Falo de dormir acordado, de acordar e continuar sonhando. De pensar em você e mais nada. Em atender o telefone no primeiro toque, em comprar roupa nova para o primeiro encontro, em coração disparado por um e-mail. Falo em tentar adivinhar se ele está pensando em você naquele momento, em dar apelidos bobos e fazer declarações de amor em público. Falo de morrer de amor, amor para sempre, jurar amor eterno amor.

Isso tudo ainda existe – ainda bem.

E os sintomas são os mesmos – ai que delícia!

Mas “eu amo” já não representa nada disso.

Não, não estou subestimando o amor, apenas acho que ele, assim como o restante do dicionário, não seja capaz de simbolizar à altura o que deveria.

E precisa?

O amor é um sentimento que não se define, não se soletra, não se explica.

Não se repete, não se copia, não cansa, não envelhece.

É maior, é forte, é delicioso, é indescritível.

Dispensa apresentações.

Então chame como quiser. Apenas ame ou seja lá o que for (Apenas Ame, por Lara Martins)

Gostar-nao-e-amar

a versus g

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