O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë

IMG_4823 IMG_4819Depois de arrasares o meu palácio, não penses que podes construir uma cabana e vangloriares-te da tua generosidade ao oferecê-la para eu morar” (p. 100)

Aprende a disfarçar essas rugas, a levantar essas sobrancelhas sem medo e a transformar esses demônios em anjos inocentes e puros, deixando de desconfiar e duvidar de tudo e todos e de ver inimigos nos teus amigos. Deixa essa expressão de cão raivoso que finge aceitar como merecidos maus-tratos e pontapés, mas que afinal odeia o mundo, pelos sofrimentos que passa, tanto quanto aquele que lhe dá os pontapés” (p. 53)

Lutava desesperadamente para acompanhar Catherine nos estudos, e foi com recolhida mágoa que os abandonou, mas o certo é que os abandonou por completo; e assim que compreendeu que jamais conseguiria atingir a sua posição anterior, desistiu de qualquer esforço para melhorar” (p. 62/63)

não há um único livro nesta casa que eu não tenha lido e de onde não tenha tirado algum ensinamento; a menos, é claro, que seja em grego ou em latim, ou mesmo em francês… Mas, mesmo assim, sou bem capaz de distinguí-los dos outros, e isso é mais do que se pode pedir à filha de um homem pobre”.

Estas são as frases e alguns trechos que mais gostei, com os quais eu também me identifico nesta linda e clássica obra literária, de leitura obrigatória eu diria.

Foi o melhor livro de romance que já li, embora a história seja até muito mais trágica que Romeu e Julieta, por exemplo.

A autora parecia ter vivido a história para compreender tão bem as loucuras e todos os demais sentimentos, mesmo que ruins, embora motivados pelo amor e paixão de seus personagens.

Nunca senti tanta revolta literária em um personagem como a figura de Heathcliff, inclusive pelo modo com que trata seu próprio filho e a maldição que lança para sua própria amada, já moribunda, para que não alcançasse a paz e o assombrasse até que este também morresse.

Um ser que carrega e alimenta sentimentos de inconformismo, revolta, rejeição, vingança, etc.

O problema é que, de um modo ou de outro, familiares que o desprezavam acabaram por alimentar tais sentimentos em Heathcliff.

A história é contada pela “faz-tudo” Nelly Dean para um passageiro inquilino – Sr. Lockwood.

Trata-se de um casal que nunca pudera ter sido aceito, principalmente pelo preconceito e condição social.

E tudo isso começa quando o Sr. Earnshaw traz consigo um rapazote, regulando com a faixa etária de seus filhos legítimos (Catherine e Hindley), no lugar de presentes para estes. Este menino, de origem cigana, passa então a se chamar Heathcliff que ganha a atenção e aceitação apenas de Catherine, até por terem um impetuoso temperamento.

Quando o pai falece, Hindley que é primogênito passa a tratar seu irmão como um verdadeiro vassalo, para que este nunca adquirisse cultura, bons modos e tudo mais e também como forma de afastar a relação dele com Catherine.

Mas, as proporções de tais atitudes, aliada à proximidade de relacionamento dos Earnshaw com a família Linton, somente faz tudo ao redor piorar.

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Recomendo e muito a leitura.

Ficha técnica:

Título original: Wuthering heights

Editora: Lua de Papel

Tradução: Ana Maris Chaves

Capa: Nick Keevil

Gênero: Romance britânico

ISBN: 978-85-63066-02-2

Edição: 11ª reimpressão – 2009

Páginas: 292

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