Sobrevivendo com os lobos

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“- O que é isso?”

“- É um morangueiro. De morangos, conhece?”

“- Eu não”.

“- Está brincando?!”

“- Não… Nunca provei um. Acho que os alemães levaram todos”.

“- Antes levassem morangos.” (diálogo no filme entre Ernest e Misha).

Dando sequência aos filmes que retratam a lamentável passagem da História – 2ª Guerra Mundial, destacarei nesta semana o filme: Sobrevivendo com os lobos.

O filme de origem francesa retrata a história de uma garota de pai judaico-alemão e mãe judaico-russa, vivendo a família na Bélgica, um dos países que sofreu com a invasão nazista.

Vivendo de forma escondida, a garota que possui o nome masculino em outros países soviéticos, Misha (o que seria equivalente ao diminutivo de Miguel), tenta viver e frequentar a escola como qualquer outra criança e adotando outro prenome de origem aceitável aos padrões germânicos.

Tais experiências também nos faz lembrar outra criança, de mente desenvolvida para a sua idade, que sofrera efeitos desta Guerra: Anne Frank.

O filme começa a se tornar mais apreensivo quando seus pais desaparecem e a família que passa a lhe dar cobertura também é perseguida, mas Misha consegue fugir, solitária pela floresta afora.

É assim que o relato de contos que conhecemos da “solidariedade” e aproximação de lobos com humanos (Mogli – o menino lobo e a mitologia romana de Rômulo e Remo) se repete. Uma pequena alcateia passa a acolhê-la.

Misha sobrevive ao modo dos extintos selvagens pelo tempo suficiente ao término da Guerra, sendo encontrada com aspecto assustadoramente primitivo e castigada quando do registro de sobreviventes para localização de parentes e conhecidos.

O foco poético do filme é de ressaltar algo que venho atestando com veemência: a animalidade dos homens e a humanidade dos animais.

É o reforço da tese dos “animais” atacarem pessoas por proteção ou sentimento de ameaça enquanto os humanos exterminam seus semelhantes por meras disputas territoriais e atreladas ao cego preconceito, uma das principais doenças mentais de nossa “espécie”.

Trata-se do acolhimento e estado de conforto que animais agregam com sua presença para superação de momentos difíceis ao ser humano.

Embora conste como “baseado em fatos reais”, inspirado no livro com o mesmo título, a história é contata de forma figurativa, o que decepcionou muitos, mas talvez não o bastante para saber sobre o sofrimento e desespero que milhares de pessoas, inclusive crianças, passaram nas mãos de nazistas.

Mesmo assim, vale a pena assistir. É singelo, bonito e emocionante. Mathilde Goffart trabalhou muitíssimo bem.

Confira o trailer:

Ficha Técnica:

Sinopse: 1942, Bruxelas. A menina Misha, de sete anos de idade, começa uma viagem desesperada para escapar dos nazistas e encontrar seus pais. Sozinha, traumatizada e terrivelmente vulnerável, sua salvação chega na forma de uma família de lobos, que a adota. Um amor único e poderoso se desenvolve gradualmente entre a menina e seus protetores. Misha passa por muitos episódios, – alguns trágicos, alguns engraçados – mas todos intensamente comoventes. Os lobos vão ajudar a menina a sobreviver e dar-lhe forças para continuar sua missão.

Título Original: “Survivre avec les loups

Direção: Véra Belmont

Produção: Véra Belmont

Distribuição: Paramount Pictures

Gênero: Drama

Elenco: Mathilde Goffart, Yaël Abecassis, Guy Bedos, Michèle Bernier

Lançamento: 21/11/2007

Música: Emilie Simon

Fotografia: Pierre Cottereau

Duração: 118 min.

Classificação: 14 anos

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