Descaso com a Justiça

Assim caminha a humanidade
Com passos de formiga
E sem vontade (Lulu Santos)

O maior exemplo ao descaso que nossa então presidente poderia nos dar, para aqueles que ainda tinham lá suas dúvidas, é quanto à exaustiva e incoerente demora na nomeação de um novo ministro ao Supremo Tribunal Federal (STF), para ocupar a vaga deixada há oito meses pelo ex-ministro e agora advogado Joaquim Barbosa.

Está sendo considerado o período mais longo desde a promulgação de nossa vigente Constituição Federal em que uma vaga permaneceu pendente para substituição de ministros no STF.

Longo tal como o histórico da nefasta corrupção que paira densamente sobre nossas cabeças, já desnutridas por sede de verdadeiro crescimento.

A meu ver, tal resistência se mostra propositadamente protelatória, com intuito de adiar a persecução de processos penais em meio ao mais escandaloso sistema de corrupção, peste que impregna a cultura do país.

E isso porque nossa Carta Magna estabelece como princípio fundamental, logo em seu artigo 2º, a independência e harmonia entre os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, sem interferências expressamente hierárquicas.

Não é à toa que apenas 29% da população confiam no Judiciário, segundo o índice de confiança na Justiça da FGV Direito SP. A Dama da Justiça não parece estar apenas de olhos vendados, mas de mãos atadas também, pois limitada, principalmente pelo Legislativo de onde as leis são criadas e que assim devem ser observadas.

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