O que é que a baiana tem? Tem lugar cativo no Hall da Fama tem.

No último dia 25, foram lembrados os 74 anos memoráveis na história da única “brasileira” (mesmo que nascida em Portugal) que gravou suas mãos e plataformas no pátio do Teatro Chinês no ano de 1941, em Hollywood, quando nossa excêntrica Carmen Miranda era estouro de sucesso na música e no cinema, sendo depois lembrada com uma estrela na calçada da fama, também em Hollywood.

Mesmo sem apoio, pelas críticas de muitos músicos brasileiros, acho sim que Carmen Miranda fizera mesmo sucesso, tornando-se mundialmente reconhecida sem nunca ter deixado de expressar seu orgulho brasileiro.

Seu figurino, para mim, é interpretado como um grande gesto para mostrar suas raízes, dos pés à cabeça, ou seja, sem espaços para modificação de seus sentimentos com o país. É a linguagem artística do expressionismo; de exteriorizar exageradamente uma paixão interna para que não haja dúvida.

A perseguição midiática que se faz com isso é, no fundo, mascaradas de despeito ou inveja, já que até mesmo nos dias atuais dificilmente um artista brasileiro, principalmente no cenário musical, consegue alavancar tanto sucesso mundo afora e ainda mais nos Estados Unidos, referência em revelações de grandes proporções artísticas. Talvez as críticas fossem tecidas enquanto se bebericava Coca-Cola, pensando nas composições que gostaria de escrever em inglês e se comparando com algum(ns) outro(s) artista(s) de fora.

Sua resposta viria na música “Disseram que eu voltei americanizada”:

Me disseram que eu voltei americanizada
Com o burro do dinheiro
Que estou muito rica
Que não suporto mais o breque do pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca

Disseram que com as mãos
Estou preocupada
E corre por aí
Que eu sei certo zum zum
Que já não tenho molho, ritmo, nem nada
E dos balangandans já “nem” existe mais nenhum

Mas pra cima de mim, pra que tanto veneno
Eu posso lá ficar americanizada
Eu que nasci com o samba e vivo no sereno
Topando a noite inteira a velha batucada

Nas rodas de malandro minhas preferidas
Eu digo mesmo eu te amo, e nunca “I love you”
Enquanto houver Brasil
Na hora da comidas
Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu

E sua música nunca deixara o ritmo brasileiro, com um jeito rápido no cantarolar que nem consigo acompanhar (https://www.youtube.com/watch?v=Z0p2-R3b_Ko).

De excêntrico todo mundo deve ter um pouco.

É uma pena que sua vida pessoal acabara em declínio, assim como a de tantos outros famosos.

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