Juízo… De valor? Só que não!

O fato do magistrado que, em tese, faz revestir sua toga de conservadorismo, boa conduta, aplicação certeira das leis e dos bons costumes, dos critérios de justiça e moralidade, não parece ter coberto muito bem o juiz federal responsável pelos processos movidos em desfavor do então empobrecido bilionário Eike Batista, quando flagrado dirigindo um veículo importado do réu nas ruas do Rio de Janeiro.

A lição disso tudo ao povo brasileiro?

Muito simples. É que qualquer um pode se deixar corromper facilmente, seduzido por sua ganância desenfreada e de que a melhor forma de conhecer uma pessoa é lhe conferindo poder.

Pouco importa o inconformismo e a qualidade de vida dos brasileiros menos afortunados, que recebem parcas cifras de reais e que mal sustentam suas despesas mais necessárias à manutenção de sua dignidade.

Pouco importa infringir normas éticas da Magistratura e princípios da Administração Pública, este previsto em nossa famigerada Constituição Federal.

Pouco importa que outras pessoas o denunciassem, incluindo a mídia.

Pouco importa denegrir mais e mais a imagem de nosso Poder Judiciário já tão sofrido por diversos motivos.

Não bastou se valer de cargo público para usufruir somente dos veículos alheios apreendidos. Mantivera ainda o piano do réu com o seu vizinho.

O mínimo que se esperava era o seu afastamento dos processos envolvendo Eike Batista, assim decidido pela Corregedora nacional de Justiça, Ministra Nancy Andrighi, com sua acertada e costumeira coerência.

Pior, prejudicou radicalmente o andamento dos processos, vez que o Ministério Público Federal chegou a requerer a anulação de todas as decisões proferidas pelo juiz no caso, além do leilão também ter sido suspenso.

Ora, há profissionais especializados na guarda de bens judicialmente apreendidos. Enfim, nenhuma desculpa se aplicaria para justificar tamanha falta de exemplo.

Com a remuneração que este juiz recebe, precisaria mesmo querer sempre muito mais para ostentar tais bens que nem mesmo deveriam estar em sua posse?

Aí vem outra pergunta: como dar credibilidade aos julgamentos proferidos por um juiz quando sua postura perante a sociedade se mostra tão repulsiva ou até mesmo reprovável?

Isso porque sua “fama” parece ser mais nebulosa. Confira:

http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/30794-corregedora-afasta-juiz-federal-de-processos-envolvendo-eike-batista

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/02/corregedoria-determina-que-juiz-devolva-justica-bens-de-eike-batista.html

http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/02/25/procuradoria-muda-discurso-e-apoia-troca-de-juiz-do-caso-de-eike-batista.htm

http://www.valor.com.br/politica/3927024/piano-de-eike-batista-esta-no-condominio-de-juiz

http://extra.globo.com/casos-de-policia/juiz-flagrado-dirigindo-carro-de-eike-tem-quase-200-mil-em-dividas-15452736.html

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2015/02/noticias/cidades/3890327-juiz-do-caso-eike-acumula-dividas-de-quase-r-200-mil-e-polemicas-no-espirito-santo.html

É paradoxal demais o juiz ainda ter declarado o modo de vida de ostentação do empresário por acumular tantos débitos, sendo que o próprio magistrado possui dívidas, também muito altas e ainda ter utilizado os bens ostentados pelo réu do qual fizera tantas críticas.

Nós aqui, esperando o crescimento no número de pessoas com bons exemplos e nos aparece este tipo de noticiário, em meio à tempestuosa situação política de nosso país. Não consigo mensurar a vergonha.

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