A sistemática economia familiar de 1%

Ainda dá tempo. Ainda estamos no segundo mês.

Há poucos meses assisti a um programa de TV abordando um tipo de economia familiar bastante simplória ou convencional durante muitos séculos (de guardar dinheirinho no colchão), mas que tem voltado à moda para os mais planejadores, vulgarmente denominados “unhas-de-fome”: a economia do 1%.

O que provavelmente alimenta esta nova sensação é o estado de desafio, ou melhor, da pessoa se sentir desafiada a cumprir positivamente uma meta a ser contabilizada somente no final de cada ano.

O desafio consiste no ato da família se reunir e ao final do primeiro mês do calendário reservar 1% do salário de cada membro. Exemplo: Quando receberem o salário referente ao mês de maio, deverão poupar 5% do que tiver recebido sobre o referido mês.

Para melhor exemplificar a capacidade de poupar e a diferença para tal economia, vejamos o que uma só pessoa pode acumular ao longo de um ano com tal sistemática, baseado sobre o salário mínimo, hoje de R$788,00 e lembrando que o 1% é acumulativo, ou seja, para cada mês se acrescenta mais 1%:

Salário de Janeiro: 1% de R$788,00 = R$7,88;

Salário de Fevereiro: 2% de R$788,00 = R$15,76;

Salário de Março: 3% de R$788,00 = R$23,64;

Salário de Abril: 4% de R$788,00 = R$31,52;

Salário de Maio: 5% de R$788,00 = R$39,40;

Salário de Junho: 6% de R$788,00 = R$47,28;

Salário de Julho: 7% de R$788,00 = R$55,16;

Salário de Agosto: 8% de R$788,00 = R$63,04;

Salário de Setembro: 9% de R$788,00 = R$70,92;

Salário de Outubro: 10% de R$788,00 = R$78,80;

Salário de Novembro: 11% de R$788,00 = R$86,68;

Salário de Dezembro: 12% de R$788,00 = R$94,56.

Total cumulativo de porcentagem: 78%

Total economizado: R$614,64

Certamente estes valores você gasta ou gastaria com coisas que não necessita.

Trata-se de uma espécie de 14º salário e este valor pode servir para comprar algo no final de ano sem sacrificar seu 13º, suas férias ou qualquer tipo de bônus e sem começar o próximo ano já enforcado.

Eu ainda incrementaria o cofrinho com mais outro desafio: o de incluir também aqueles trocadinhos das compras pequenas e que você faz aos picados durante os meses.

E digo mais: não é motivo de vergonha exigir tudo aquilo que for seu, tal como as moedinhas de um centavo que tem um valor numismático e tanto. Pare pra pensar e veja o quanto os estabelecimentos lucram ao inserir valores quebrados já na certeza de não lhe fornecer todo o troco. O resultado de centavos se transforma em milhões.

É apenas um ensaio econômico porque para os experts de economia, manter o dinheiro guardado em casa gera um engessamento ao crescimento do país, que necessita circular as cédulas e moedas.

Assim, melhor será que boa parte do acumulado seja aplicado em conta poupança para que dela gere rendimentos ou invista de outras formas.

Lembrem-se: “OS HOMENS SÓ DETESTAM O AVARENTO PORQUE COM ELE NADA PODEM LUCRAR” (Voltaire).

Anúncios