Impeachment para Dilma Rousseff?

Por já termos presenciado um episódio em nossa história, com a perda de um mandato presidencial através do processo de Impeachment, muitos acreditam que este fato possa virar uma rotina, em que todo e qualquer comportamento de um Presidente acarrete tal consequência como forma de modismo.

Modismo porque pessoas, principalmente os partidários sem causa e que não sabem como causar a maior polêmica para se destacar na mídia, procuram fomentar isso e ainda sem visar qualquer efeito construtivo a posteriori.

Acham mesmo que tudo se tornará lindo e belo com a perda de mandato de nossa atual Chefe de Estado?

Acham mesmo que só um cairá para que a corja de toda uma avassaladora corrupção caia também, corrupção esta até então jamais presenciada no país e sobre os principais membros do Partido dos Trabalhadores (PT) em seus mandatos?

Reproduzindo a fala do personagem Coronel Stauffenberg, interpretado por Tom Cruise no filme Operação Valquíria: – “Os Senhores não acham que podem entrar na sede do Reich e ordenar que o exército pare de lutar”.

E depois ainda complementa: – “Aqueles homens confundem respeito com popularidade. O Exército fez um juramento que não morrerá com Hitler”.

Neste caso, essas frases aqui soam como metáfora. Não pensem que “derrubar” um(a) presidente, fará com que todos os envolvidos em escândalos sejam cassados e tampouco que seja a solução para acabar com toda a corrupção que já está deveras enraizada.

O povo brasileiro até sabe agir, mas não sabe cobrar de forma ostensiva e muito menos fiscalizar.

Leis não faltam, embora precisem ser urgentemente endurecidas. O problema é que não se sustentam por muito tempo porque os órgãos que possuem o dever de fiscalizar tais leis e desenvolvê-las no Judiciário nada fazem, quer seja por comodismo em suas atribuições quer seja pela ganância de obter lucro pessoal se valendo como detentor para um regular funcionamento das normas, assim intitulada como corrupção passiva.

Tenho a firme convicção de que, enquanto a cultura e todo o modo de agir e pensar não mudar em cada brasileiro, bem como o verdadeiro senso patriota, não teremos bons políticos. É uma questão de espelho. No que refletirá?

O político de hoje é a pessoa comum de ontem e o que colocar em prática, será baseado no aprendizado que tivera. Nossa educação nunca fora de referência. Sempre estivemos muito longe dos padrões mínimos ideais e ao invés de melhorarmos, estamos regredindo.

Daí o ideal de se levar vantagem excessiva e desproporcional sobre tudo, focado no jogo sujo, porque pela honestidade e educação tudo é mais difícil e isso tem que acabar. De um jeito ou de outro este desvio de caráter tem que acabar.

O Impeachment, que vem do inglês e significa impugnação, não se concretiza com empobrecido protesto e possui um desencadeamento próprio, regulado especificamente pela Lei nº 1.079 de 10 de abril de 1950 que prevê tipos específicos de condutas desaprovadoras à Presidência capaz de gerar crimes de responsabilidade.

Até que se prove o contrário, por meio de ostensiva e minuciosa investigação, o processo de Impeachment poderá cair por terra, pois ainda se mostra vaga já que não há liame concreto de um crime explícito envolvendo Dilma Rousseff em sua gestão como presidente, uma vez que poderia alegar ocultações de informações que solicitava, caso tenha provas de que sempre tentara uma supervisão mais próxima sobre os negócios da Petrobrás.

O que pode ocorrer é atribuir uma eventual improbidade administrativa ao fato de não cobrar ostensivamente sindicâncias na atuação criminosa de funcionários suspeitos no escândalo da Operação Lava Jato, bem como protegendo ou suavizando as denúncias em relação aos políticos envolvidos ou ainda dificultando por qualquer tipo de tráfico de influência a plena investigação policial.

Isso porque as irregularidades têm remontado ao período de quando Dilma Rousseff era Ministra de Minas e Energia e que desde então teria pleno acesso em detectar ou pelo menos desconfiar das procedências que eram tomadas na Petrobrás e que geraram um desfalque de bilhões de reais, o que configuraria omissão e negligência arrastada, inclusive, como presidente.

Conforme destacado por Fernando Vieira e Rodrigo Barros, na edição 43, de abril de 2010 pela Rolling Stone (http://rollingstone.uol.com.br/edicao/43/de-repente-candidata-dilma-rousseff#imagem0): “Dilma Rousseff nunca se candidatou a nada, mas foi a escolhida para substituir o presidente que jamais ficou de fora de uma eleição”.

Bilhões de reais e Fernando Collor de Melo perdera o mandato por muito menos.

Até porque os prejuízos atingem não somente brasileiros, mas também diversos investidores em proporção internacional.

E, como prova de que brasileiro tem memória curta, vamos relembrar que quando Collor sofrera o impeachment, quem ocupara a presidência fora o seu vice, Itamar Franco, ou seja, não tiveram os brasileiros que tentar consertar seus votos e exames de consciência com novas eleições, tal como sustentam por aí.

Isso sem contar na investigação sobre a prática de lavagem de dinheiro que recaía sobre o ex-tesoureiro de sua campanha, Paulo César Farias, que tivera fim trágico, sendo encontrado morto em junho de 1996.

E, quando Collor suplicou para que a população lhe apoiasse contra tal processo, pedindo para que saíssem às ruas vestindo as cores da bandeira nacional, o efeito fora reverso. Uma multidão saiu às ruas vestindo preto, em sinal de luto e com as caras pintadas.

As passeatas foram pacíficas, sem “Black Blocs”, reuniram uma vastidão de pessoas que possuíam um mesmo objetivo, sem patrocínios políticos e numa época em que nem mesmo tínhamos a internet para difundir tais protestos.

Só não sei até que ponto Michel Temer que, conhece muito bem a Constituição Federal, já que possui várias obras jurídicas desta área, conseguiria governar o pobre país rico ou seria marionete de partidos políticos.

A conspiração política para novas eleições somente ocorreria a chapa política estivesse comprometida e, sinceramente, não acredito que tenham tamanha competência para vincular tais crimes ao então vice-presidente.

Não significa dizer que colocaria a mão não fogo por qualquer dos nomes citados nas investigações, que inclui membros até mesmo da oposição (é uma orgia política). Ao contrário, não confio absolutamente em nenhum político e no procedimento de investigação que é de fácil manipulação no Brasil. Em resumo… Não acredito em ninguém, mas tenho esperanças, ali bem no fundo da “Caixa de Pandora”, que este país possa ser digno um dia.

Processo de Impeachment pode até existir, mas surtir efeito já é outra história. Como bem ressaltado pelo apresentador do Jornal da Cultura, William Corrêa, salvo melhor juízo no dia último dia 12, o brasileiro não pode desconstituir um presidente eleito, com votações diretas e tudo mais como se fosse um recall.

A análise de vida profissional, política e pessoal, bem como propostas de governo estabelecidas devem ser ponderadas antes das eleições e não esperar infortúnios. A desgraça deste mandato já estava anunciada e foi desprezada.

Esta Nação sempre fora usurpada. E para quem está no ritmo de Carnaval, em que tudo é festa, me cabe recitar uma marchinha que virou jingle da campanha do ex-presidente Jânio Quadros:

Varre, varre, varre vassourinha!

Varre, varre a bandalheira!

Que o povo já ‘tá cansado

De sofrer dessa maneira

A “punição” sofrida principalmente ao núcleo político do PT em relação ao esquema de corrupção intitulado “Mensalão”, que aqui comparo ao castigo divertido de criança, só faz transparecer que tamanha falta de caráter, pois traidores do povo que são, compensa a prática contínua de perversão moral e aos cofres públicos. Talvez seja só para enfatizar a expressão de que o que for proibido é mais gostoso. Só que não.

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