50 Tons de Luto à Sétima Arte.

Seria muito jurássica se deixasse de comentar sobre o filme mais aguardado do mau gosto.

Que me desculpem quem lera toda a séria de livros e assistira ao filme ou para tanto, mas achei o filme péssimo.

Não é à toa que houvera tanta recusa de artistas: dificuldade de encontrar atrizes e atores interessados com os personagens do livro, de aceite de diretores etc.

E ainda acharam que Angelina Jolie pudesse aceitar a direção de tal filme… Será que por correr comentários de que a atriz seria adepta de atitudes sadomasoquistas é que dirigiria tal filme e que ainda pudesse ser consagrada com tal feito? É evidente que não. Sua ambição e propostas querem atingir um ego muito superior, talvez nobre.

Fizeram tal filme apenas com intuito arrecadador de bilheteria mesmo, para alavancar a fama de uma escritora que bem empenhada em rebaixar a literatura inglesa. Afinal, sexo vende. Coloque qualquer coisa sobre sexo que atingirá a fama.

Ora, Erika Leonard James está muito aquém de Emily Brontë, Jane Austen ou mesmo Mary Shelley.

Isso porque, uma boa história que se preze necessita, acima de tudo, de originalidade.

O tema até pode não ser inédito, mas a forma de contar, o estereótipo de seus personagens terá de vir da imaginação verdadeira de cada autor que, via de regra, é cultivada em sua mente por muito antes de ser posta em prática.

Portanto, não se espera o lançamento de um livro que financeiramente rendera para se ter a ideia de embarcar no mesmo barco, qual seja agradar público de formação intelectual… Em processo de amadurecimento.

50 Tons de Cinza fora uma obra “inspirada” em outra obra voltada ao público juvenil: Crepúsculo, de Stephenie Meyer, que é deveras criticada, tal como frases de outros escritores mais conceituados na literatura, senão vejamos:

Twilight’ é baseado numa premissa tola: a de que imortais vão para o colégio. Que falta de imaginação. A ideia de que, se você fosse imortal, iria para uma escola em vez de a Paris, Katmandu ou Veneza é boba. É um vampirismo idiota para crianças. Mas funcionou para ela, e fez sucesso” (Anne Rice).

Tanto J. K. Rowling como Stephenie Meyer estão falando diretamente com os jovens. A diferença real é que Rowling é uma ótima escritora e Stephenie Meyer não consegue escrever algo que valha a pena ler” (Stephen King).

Ah e claro que o próprio escritor mestre do suspense e horror não poderia deixar 50 Tons de fora ao também dizer: “Eu li Cinquenta Tons de Cinza e não senti vontade de continuar. Eles chamam isso de pornô para mamães, mas não é isso. Ele é bem direcionado pelo sexo e é para mulheres entre, digamos, 18 e 25 anos”.

Minha opinião é que o filme em questão é a cópia escancarada de Crepúsculo do começo ao fim, incluindo a fotografia de divulgação entre ambos:

Crepúsculo (http://resumonerd.blogspot.com.br/2011/05/os-erros-mais-bizarros-dos-filmes.html)

50 Tons (http://primeoffer.com.br/noticias/50-tons-de-cinza-mais-um-trailer-de-tirar-o-folego-e-lancado-17615.html)

O personagem sádico Christian Grey, sobrenome este que em inglês deduz a criatividade limitada da autora é:

Desprovido de expressão tal como Edward Cullen;

Ambos tocam piano;

O som de tal instrumento tocado no fundo de algumas cenas é o esboço fraco da composição de Bella’s Lullaby, composta por Carter Burwell;

A peculiaridade na cor dos olhos;

Quanto à personagem Anastacia Steele:

É uma jovem descoordenada tal como Isabella Swan;

Ambas insistem para chamarem por um nome mais curto, só Ana e Bella;

São salvas de um atropelamento;

Os pais biológicos de ambas nas histórias não tiveram um casamento que tenha perdurado, com uma mãe que leva uma vida mais despojada;

Ambas são estudantes prestes a se formarem.

O filme é uma cilada.

Querem realmente algo profano envolvendo a sedução de um homem para conquistar mulheres da forma mais vil? Vão assistir O RETRATO DE DORIAN GRAY (sobrenome de pronúncia “coincidentemente” familiar) e comentem depois. Ahhh e inspirada na obra literária de Oscar Wilde, publicada em 1890.

Mais impressionante ainda é o público querer traçar um tabu sobre outro: sexo + sadismo. E viam situações engraçadas que não me deram vontade alguma de rir.

Pelo amor… depois que alguém se depara com todas aquelas peripécias de objetos, há a necessidade de contar até seis chibatadas pra entender o objetivo?

O resultado é que, a saga Crepúsculo acaba se tornando uma obra-prima quando comparado com 50 Tons de Cinza. O primeiro voltado para um público mais adolescente, porque mais suave de agradar e convencer; o segundo, voltado para inexperientes e, principalmente para as “senhouras” mau amadas, de desejos enrustidos quando a relação mais básica e terna lhe são negados ou que a independência financeira tanto almejada já tenha bloqueado por completo a capacidade de possuir uma companhia.

As regravações das músicas na trilha sonora também não me agradaram. I Put a Spell On You, por exemplo, ficou bem melhor quando cantada de forma engraçadérrima por Bette Midler para o filme Abracadabra.

Finalmente, não posso deixar de destacar o dom que algumas mulheres ostentam de ser desvalorizadas e tripudiadas. Estamos realmente num retrocesso.

Pra compensar o tempo perdido vou assitir… sei lá… O Ataque dos Vermes Malditos.

Enfim… não recomendo o filme. Confira o thriller, digo, o trailer:

Ficha Técnica:

Sinopse: Anastasia Steele é uma estudante de literatura de 21 anos, recatada e virgem. Um dia ela deve entrevistar para o jornal da faculdade o poderoso magnata Christian Grey. Nasce uma complexa relação entre ambos: com a descoberta amorosa e sexual, Anastasia conhece os prazeres do sadomasoquismo, tornando-se o objeto de submissão do sádico Grey.

Título Original: “Fifty Shades of Grey”.

Diretor: Sam Taylor-Johnson.

Produção: Dana Brunetti, E.L. James, Michael De Luca

Distribuição: Universal Pictures.

Gênero: Romance.

Elenco: Jamie Dornan, Dakota Johnson, Jennifer Ehle, Luke Grimes, Eloise Mumford, Victor Rasuk, Max Martini, Rita Ora.

Lançamento: 12/02/2015.

Música: Danny Elfman.

Fotografia: Seamus McGarvey.

Duração: 125 min.

Classificação: 16 anos.

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